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O ano de 2020 foi trágico em muitos aspectos e deixou marcas indeléveis. O surto do novo coronavírus ganhou força e rompeu fronteiras, ultrapassando dimensões sanitárias e incorporando feições econômicas e sociais. No Brasil, as consequências se mostraram devastadoras. Além do mais, no início de 2021, o recrudescimento desse caldo viral, que vem se espalhando pelo mundo há mais de um ano, revelou-se uma grande ameaça adicional para uma recuperação de curto prazo da economia brasileira, transformando o ano que se inicia numa espécie de continuação do recém-terminado. 

 No tocante ao mercado de trabalho, pelo menos até o quarto trimestre de 2020, os números revelaram, no máximo, uma retomada estéril. A despeito de alguns resultados alvissareiros na margem, o ritmo de qualquer recuperação do emprego e da renda não vem demonstrando quaisquer forças estruturais para se sustentar no longo prazo. Na Bahia, especificamente, não faltam dados para atestar tal debilidade e a desconfiança quanto a qualquer recuperação significativa num estreito intervalo de tempo. Como exemplo, tem-se: a maior taxa média anual de desocupação da série, sendo ainda a mais alta do país; o menor contingente médio anual de pessoas trabalhando desde 2012; o maior montante médio anual de desocupados já registrado; o pico de pessoas desalentadas; o menor quantitativo de empregos com carteira assinada da história; o maior montante médio anual fora da força de trabalho; e a menor massa de rendimento real de todos os trabalhos da série quando se olha para as médias anuais. 

A conjuntura laboral baiana foi examinada neste boletim tendo por base o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). Apesar da recomposição de alguns indicadores no período recente, principalmente aqueles revelados pelos dados do Caged, fica patente a necessidade de maiores avanços para se ter caracterizada uma recuperação ampla e enraizada. Assim, a cautela se constitui num dos pré-requisitos para a compreensão da grandeza e do alcance de qualquer reabilitação que possa ter sido observada por ora. Enfim, fica implícito ao longo do texto que as economias brasileira e baiana ainda enfrentarão uma conjuntura bastante desfavorável, marcada por dificuldades em algumas atividades produtivas e no emprego. Nesse compasso, o mercado de trabalho, um dos últimos pilares a materializar uma retomada, ainda deve repercutir por algum tempo as consequências do desequilíbrio econômico e social vivenciado recentemente aqui e ao redor do mundo. 

 

O Boletim de Conjuntura do Mercado de Trabalho referente ao quarto trimestre de 2020 pode ser acessado clicando aqui.

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