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José Ribeiro Soares Guimarães, diretor de Pesquisas da SEI, foi o convidado desta sexta-feira (19), da Série Temas Estratégicos, evento semanal de debates da Superintendência de Planejamento Estratégico da Secretaria do Planejamento. Ribeiro, que também é diretor Científico da Anipes, falou sobre Mudanças sociodemográficas na Bahia e no Brasil: oportunidades e desafios para o planejamento. O economista tratou das mudanças estruturais na demografia brasileira, com a redução da natalidade, o aumento da expectativa de vida, o envelhecimento populacional e as tendências migratórias de retorno. Também foram abordados os possíveis impactos desse atual cenário para as políticas públicas e os investimentos privados. Segundo Ribeiro, a Contagem Populacional do IBGE (2007) coloca a Bahia como o estado mais populoso do Nordeste, com cerca de 14,1 milhões de habitantes. O estado representa 27% da população nordestina e é o quarto colocado do país em população. Em 2020, a perspectiva é que os baianos somem 15,6 milhões de pessoas. A Bahia, que mantinha sua tendência histórica de expulsar a população por migração, passa a apresentar saldo migratório positivo. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/ IBGE), 2006 foi o marco que reverteu essa tendência, com saldo migratório positivo (33 mil pessoas). A intensificação no ingresso de pessoas na Bahia se dá especialmente pela chamada migração de retorno. Outro dado apresentado é de que as mulheres baianas tendem a ter menos filhos. Em 2007, a média já atingiu 1,9 filhos por mulher. Enquanto a taxa de natalidade diminui, a esperança de vida dos baianos aumenta. Em 2007, a expectativa de vida alcançava 72,0 anos, alcançando a média nacional. É importante destacar que entre a população idosa e, sobretudo, entre os mais idosos, há um amplo predomínio de mulheres por conta do significativo diferencial de longevidade feminina (seis anos e meio a mais). O conseqüente envelhecimento dessa população, segundo projeção feita pelo economista da SEI, irá resultar em cerca de 64 milhões de idosos no Brasil em 2050 – enquanto, no ano 2000, os idosos eram em torno de 14 milhões. As projeções populacionais para o estado da Bahia indicam que, no ano 2020, serão aproximadamente 1,65 milhão de idosos, 11% da população estadual. Ribeiro lembra que, diferente do que aconteceu nos países desenvolvidos, o envelhecimento populacional no Brasil, assim como em vários outros países em desenvolvimento, ocorre de forma abrupta e num contexto socioeconômico desfavorável. O cenário do envelhecimento impõe alguns desafios, especialmente nas áreas de saúde e previdência social. No âmbito da saúde, por exemplo, o expressivo contingente de idosos (cerca de 1,1 milhão ou 85,0% do total) sem cobertura de plano de saúde incorre numa forte pressão sobre o serviço público de saúde. A estrutura etária da população também repercute no sistema de previdência social por intermédio das taxas de dependência, relação pensionistas/ contribuintes. O Brasil deve aproveitar o bônus demográfico da atualidade, ou seja, uma carga de dependência na qual o número de pessoas potencialmente inativas não é muito elevado em relação à população ativa. No futuro, a carga de dependência voltará a crescer em função do aumento do número de idosos e menor número de pessoas em idade ativa por conta dos menores níveis de fecundidade. De um modo geral, o setor privado ainda apresenta timidez em relação ao mercado consumidor de bens e serviços para a população idosa. Setores imobiliário, de turismo, lazer e entretenimento, de saúde, de serviços de proximidade, educação, serviços financeiros, tecnologia e o mercado editorial podem explorar este novo nicho.
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